Durante este ano, assinalarei aqui acontecimentos importantes do reinado de Dom Dinis, à medida que forem acontecendo os respetivos aniversários, assim como transcreverei excertos do meu romance sobre o Rei Lavrador.

29
Ago 16

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Dom Dinis compôs Cantigas de Amor e de Amigo apenas para as suas amantes, ou também o fez para a sua rainha Dona Isabel? No meu romance, sim, embora a relação entre os dois tenha sido difícil, cheia de incógnitas:

 

Anunciou entoar uma cantiga que compusera para ela. Isabel encarou-o resplandecente.

Dinis não possuía grande voz, mas, devido ao seu bom ouvido musical, não desafinava. Ao som dos alaúdes, cantou sobre a senhor que lhe pedira que nunca lhe dissesse o quanto ele a amava, nem quanto por isso sofria (numa alusão à espera que o angustiava e desesperava). E questionava-a: mas, se não vos disser a vós, senhor, a quem poderei eu contar tal? Se não vos disser o que por vós sofro, por quem ireis sabê-lo?

 

                        Vós mi defendestes, senhor,

                        que nunca vos dissesse rem

                        de quanto mal mi por vós vem;

                        mais fazede-me sabedor,

                        por Deus, senhor, a quem direi

                        quam muito mal levei

                        por vós, se nom a vós, senhor?

 

                        Ou a quem direi o meu mal,

                        se o eu a vós nom disser,

                        pois calar-me nom m’é mester

                        e dizer-vo-lo nom m’ er val?

                        E pois tanto mal sofr’ assi

                        se convosco nom falar i

                        por quem saberedes meu mal?

 

Quando a música cessou, em vez de aplaudir ou elogiar, Isabel ficou fixa nele. Os olhos negros brilhavam intensamente. Gerou-se silêncio, só se ouvia o crepitar do lume… Até que lobos uivaram na serra.

 

Dom Dinis Papel (1).JPG

 

 

O meu romance sobre Dom Dinis está à venda sob a forma de ebook na LeYa Online, na Wook e na Kobo.

 

Para adquirir a versão em papel, contacte-me através do email andancas@t-online.de.

 

Nota: Todas as Cantigas de Amor, de Amigo e de Escárnio transcritas no meu romance são originais de Dom Dinis, embora seja fictício o contexto em que são inseridas.

 

publicado por Cristina Torrão às 10:55

25
Ago 16

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Foto © Horst Neumann

 

 

 

 

 

Dom Dinis é conhecido pelas suas Cantigas de Amigo e de Amor, mas o Rei Poeta também criou Cantigas de Escárnio.

A esse propósito, um excerto do meu romance:

 

                                   Joam Bolo jouv’ em ũa pousada

                                   bem dês ogano que da era passou

                                   com medo do meirinho que lh’ achou

                                   ũa mua que tragia negada;

                                   pero diz el que, se lhi for mester,

                                   que provará ante qual juiz quer

                                   que a trouxe sempre dês que foi nada.

 

            Os nobres encetavam novos protestos contra os resultados das inquirições e Dinis, usando a personagem João Bolo, escarnecia dos fidalgos de província que desobedeciam aos meirinhos régios, usando de todos os subterfúgios para se furtarem às suas obrigações. Dizia o rei na sua cantiga que João Bolo vivia há um ano escondido, com medo de um meirinho que lhe descobrira uma mula roubada. O fidalgote contrapunha que, arranjando bom advogado, provaria perante qualquer juiz que a mula lhe pertencia, pois tinha testemunhas em como a criara desde que nascera, em casa de sua mãe. A melhor testemunha, dizia ele, era mestre Reinel, que tratara de um inchaço que a mula tivera no toutiço:

 

                                   Nom na perderá, se houver bom vogado,

                                   pois el pode per enquisas põer

                                   como lha virom criar e trager

                                   en cas sa madr’, u foi el criado;

                                   e provará per maestre Reinel

                                   que lha gardou bem dez meses daquel

                                   cerro, ou bem doze, que trag’ inchado.

 

            Dinis não tinha mais paciência para os infindáveis protestos, apesar de Isabel insistir em que não os subestimasse.

 

Cover neu3 Dom Dinis 100.jpg

 

O meu romance sobre Dom Dinis está à venda sob a forma de ebook na LeYa Online, na Wook e na Kobo.

 

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Nota: Todas as Cantigas de Amor, de Amigo e de Escárnio transcritas no meu romance são originais de Dom Dinis, embora seja fictício o contexto em que são inseridas.

 

publicado por Cristina Torrão às 11:38

23
Ago 16

 

 

Verificando-se, este mês, o 712º aniversário da Sentença Arbitral de Torrellas, na sequência de um longo processo, no qual Dom Dinis foi o principal medianeiro, aproveito para transcrever um excerto do meu romance alusivo a esta efeméride:

 

Portugueses e aragoneses confraternizaram num banquete. A rainha Branca de Aragão espantou a corte de Isabel com a última novidade vinda de Veneza: um espelho de vidro! As damas pasmavam com a clareza da imagem, acostumadas às folhas de prata polida, ou ao simples reflexo projetado na água. Algumas assustavam-se ao ver-se tão nítidas, descobrindo rugas e defeitos cutâneos e concluindo não apreciarem tais novidades.

A única que não se surpreendeu com a sua imagem foi Isabel, como se a conhecesse desde sempre. De resto, preferia prosear com dois famosos estudiosos aragoneses.

Arnaldo Vilanova, filósofo e alquimista, ligado ao movimento dos espirituais franciscanos, era médico oficial da corte desde o tempo de Pedro III e assumia missões diplomáticas ao serviço de Jaime II.

Raimundo Lulo, um franciscano catalão, igualmente ligado à alquimia, expressava pensamentos que a maior parte dos seus contemporâneos não entendia. Dizia ele, por exemplo, que seria possível alcançar a Índia circum-navegando a África, evitando o Mar Mediterrâneo, a rota comercial dominada pelos sarracenos. E ia mais longe! Numa das suas obras, escrevera: A terra é esférica e o mar também é esférico (…) é necessária uma terra oposta às praias inglesas: existe, pois, um continente que não conhecemos.

A existência de um continente desconhecido assustava e chocava, pois nada disso era mencionado nos mapas da época, que apresentavam Jerusalém como o centro da Terra e o mar como o fim do mundo. Outras almas mais iluminadas, porém, como as da rainha portuguesa e do Mestre dos Templários Frei Vasco Fernandes, fascinavam-se. Os cavaleiros do Templo estavam familiarizados com ideias avançadas e mal compreendidas, eram conhecedores de enigmas, sendo inclusive encarados com desconfiança por personalidades como Filipe IV de França.

No banquete de confraternização entre portugueses e aragoneses, Raimundo Lulo mencionou a intrigante viagem de um italiano à China, Marco Pólo de sua graça, que, volvido à sua terra, ditara as suas aventuras a um companheiro de prisão, Rusticiano de Pisa.

 

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O meu romance sobre Dom Dinis está à venda sob a forma de ebook na LeYa Online, na Wook, na Kobo e na Amazon.

No Brasil, está disponível na Livraria Saraiva e na Livraria Cultura e a Amazon.com permite o pagamento em dólares.

 

A versão em papel não se encontra à venda nas livrarias, pelo que os interessados devem contactar-me pelo email andancas@t-online.de, ou através de mensagem privada no Facebook.

 

 

publicado por Cristina Torrão às 11:08

20
Ago 16

 

 

A 20 de Agosto de 1286, el-rei Dom Dinis concedeu foral a Porches, pelo que hoje se celebra o seu 730º aniversário.

 

Porches Brasão.png

 

publicado por Cristina Torrão às 11:27
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18
Ago 16

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Mais uma passagem do meu romance de Dom Dinis, referente à sua paixão por uma donzela protegida de Dona Isabel e em que o Rei Lavrador revela a sua veia poética:

 

Dinis nunca se vira em tal situação, sempre seguira os seus impulsos, não hesitando em seduzir uma dama que o encantasse. A verdade é que se interessava, pela primeira vez, por uma protegida da rainha. Sempre achara tais moças novas e tímidas demais, um juízo que se acentuara com o passar do tempo. Aquela jovem, porém, ultrapassava todas as suas expectativas, no que respeitava a beleza e graça. Para mal dos seus pecados, também cativava Isabel, era visível a ternura que a rainha nutria por ela, expressada num grande empenho em lhe proporcionar um futuro digno. Branca Lourenço de Valadares não era apenas mais uma protegida de Isabel, era a sua protegida especial!

Assim que recolheu aos seus aposentos, e apesar de extenuado, Dinis sentou-se à sua escrivaninha, expressando o desespero em que viveria, enquanto não declarasse o seu amor:

 

(Tivesse eu tempo e Deus me desse o poder de vos contar o mal que me faz sofrer essa vossa beleza, da qual Deus não fez par; pudesse eu falar-vos e perderia muito do sofrimento que hoje me mata; Deus fez-me amar-vos tanto, que não consigo imaginar como possa continuar a viver, se não acabardes com este meu sofrimento sem igual):

 

                        Senhor, hoj’ houvesse eu vagar

                        e Deus me desse end’ o poder,

                        que vos eu podesse contar

                        o gram mal que mi faz sofrer

                        esse vosso bom parecer,

                        senhor, a que El nom fez par.

 

                        Ca se vos pudess’ i falar,

                        cuidaria muit’ a perder

                        da gram coita e do pesar

                        com que m’ hoj’ eu vejo morrer,

                        ca me nom pod’ escaecer

                        esta coita que nom há par.

 

                        Ca me vós fez Deus tant’ amar,

                        er fez-vos tam muito valer,

                        que nom poss’ hoj’ em mi osmar,

                        senhor, como possa viver,

                        pois que me nom queredes tolher

                        esta coita que nom há par.

 

Dom Dinis Papel (1).JPG

 

 

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publicado por Cristina Torrão às 11:27

16
Ago 16

 

 

Celebrando-se, este mês, o 712º aniversário da Sentença Arbitral de Torrellas, na sequência de um longo processo, no qual Dom Dinis foi o principal medianeiro, aproveito para transcrever um excerto do meu romance, alusivo a esta efeméride:

 

As sentenças foram proferidas em Torrellas, a 8 de Agosto. Como combinado, o rei de Portugal, o infante Don Juan e o bispo de Zaragoza Don Ximeno de Luna proferiram a sentença quanto à divisão do reino de Múrcia, estabelecendo o rio Segura como linha divisória, solução que estava longe de agradar a muitos nobres castelhanos, apesar de o mais prejudicado ser um português: o irmão de Dinis! Os senhorios de Elda e Novelda, pertencentes à sua consorte, situavam-se na parte destinada ao monarca aragonês, que os exigia para si próprio, pelo que Afonso e Violante lhos teriam de entregar.

Dinis tentou acalmar o irmão:

- Nada pude fazer para o evitar. Mas o meu genro comprometeu-se a doar-te senhorios de rendimento idêntico em Castela. E sabes que em Portugal, onde igualmente possuis propriedades valiosas, serás sempre bem-vindo!

O irmão limitou-se a encará-lo com o seu olhar amargurado.

Os reis de Portugal e de Aragão e o infante Don Juan de Castela proferiram ainda a sentença quanto às pretensões de Alfonso de la Cerda, que teria de desistir de certos castelos, deixar de usar o tratamento de rei e selo e armas correspondentes. Em compensação, o monarca castelhano comprometia-se a entregar-lhe senhorios que atingissem a renda anual de quatrocentos mil maravedis.

No dia seguinte, Fernando IV e Jaime II aprovaram e aceitaram os termos da sentença, seguindo-se um juramento em que participaram os membros das famílias reais, os representantes das Ordens militares e dos concelhos e os ricos-homens castelhanos e aragoneses. Os monarcas de Portugal, Castela e Aragão declararam-se ainda «amigos dos amigos e inimigos dos inimigos», jurando ainda Dinis e Jaime II amizade para com o rei mouro de Granada, que se fizera vassalo de Fernando IV.

 

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publicado por Cristina Torrão às 11:56

13
Ago 16

Vila Nova de Gaia.png

 

 

 

 

Verifica-se hoje o 728º aniversário do foral de Vila Nova de Gaia, concedido por el-rei Dom Dinis.

 

 

 

 

 

 

 

A 13 de Agosto de 1311, nasceu o infante Dom Afonso de Castela, futuro Dom Afonso XI. Este monarca castelhano foi o primeiro neto varão de Dom Dinis e de Dona Isabel, pois sua mãe era Dona Constança de Portugal. O par real português já tinha aliás uma neta, de nome Leonor.

 

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publicado por Cristina Torrão às 11:18

11
Ago 16

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Dom Dinis ficou para a História como um rei mulherengo e, de facto, teve bastantes filhos fora do casamento.

A este propósito, um excerto do meu romance em que o Rei Lavrador se encanta com uma protegida de Dona Isabel, o que lhe trará dissabores:

 

Dinis apercebeu-se que Isabel vinha ao seu encontro. E, ao lado da rainha, uma aparição encantadora paralisou o monarca. Cabelos louros e ondulados, coroados por um diadema de prata, enquadravam uma face alva, onde luziam olhos da cor do mar num dia estival. Um vestido rosa pálido envolvia um corpo bem proporcionado, de peito cheio e cintura fina.

O rosto delicado corou intensamente, quando Isabel lhe anunciou:

- É esta a donzela de quem vos falei!

- De quem… me falastes… - gaguejou Dinis atarantado.

- Mas será possível que constantemente olvideis Dona Branca Lourenço de Valadares?

- Dona…?

Dinis nem queria acreditar! Era aquela a filha do falecido Lourenço Soares de Valadares, que com ele colaborara na corte? A filha de quem o fidalgo chegara a relatar brincadeiras nos verdejantes vales minhotos? A donzela a quem ele haveria de arranjar um esposo…

- Não vos sentis bem? Pareceis um pouco pálido.

As palavras de Isabel trouxeram-no de volta à realidade, dando-se conta de que não podia fazer daquela moça sua barregã. Branca Lourenço de Valadares era uma donzela de apenas dezasseis anos, sob a proteção da rainha. Ele ia a caminho dos trinta e nove…

- Perdoai, foi um dia fatigante. - Concentrou-se em Isabel, a fim de recuperar a sua lucidez: - Principalmente a reunião com Afonso consumiu-me, como podeis calcular.

A rainha olhou na direção do infante:

- Parece-me bem-disposto.

- Com ele, nunca se sabe…

- É verdade. Mas mudemos de assunto, que estamos a confundir Dona Branca. - Virando-se para ela: - Podeis cumprimentar el-rei Dom Dinis!

O monarca pegou na mão frágil que se lhe estendia e, ao segurá-la, sentiu o encanto da juventude, experimentou sensações esquecidas. Depois de uma vénia, a donzela pousou nele os seus olhos azuis mar, espelhando o fascínio que a sua figura lhe causava.

 

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publicado por Cristina Torrão às 11:13

09
Ago 16

Depois de, a 30 de Junho de 1290, ter decretado o fim do interdito a que o reino português esteve sujeito durante vinte e três anos, o papa Nicolau II emitiu, a 9 de Agosto de 1290, a bula De Statu Regno Portugaliae, confirmando a fundação do Estudo Geral das Ciências de Lisboa, percursor da Universidade.

 

A Universidade foi de facto fundada em Lisboa. Durante muito tempo, oscilou entre Lisboa e Coimbra, e só se estabeleceu definitivamente junto ao Mondego em 1537, mais de duzentos anos depois da morte de Dom Dinis.

 

A bula De Statu Regno Portugaliae confirmava o ensino de Cânones, Leis, Medicina e Artes e autorizava a concessão de grau de licenciado pelo bispo ou vigário da Sé lisbonense. Contudo, apenas dez anos depois, começaram os problemas. Não se sabendo exatamente qual a sua origem, é conhecido que, ainda antes da autorização papal, as aulas já decorriam num edifício situado no Campo da Pedreira à Lapa. A 4 de Setembro de 1300, porém, Dom Dinis tentou disponibilizar outro terreno para a construção de um edifício para o Estudo Geral, por ter problemas com a Casa da Moeda.

 

Em Janeiro de 1307, é feito o pedido de transferência para Coimbra, autorizado por Clemente V a 26 de Fevereiro de 1308 e, a 15 de Fevereiro de 1309, pela Charta magna privilegiorum, Dom Dinis estipula os estatutos do Estudo Geral de Coimbra.

 

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publicado por Cristina Torrão às 11:09

08
Ago 16

 

 

Faz hoje 712 anos que se proferiu a Sentença Arbitral de Torrellas, na fronteira castelhano-aragonesa, estabelecendo a paz definitiva entre Aragão e Castela, o resultado de um longo processo, no qual Dom Dinis foi o medianeiro principal, apoiado pelo papa e pelo rei francês Filipe IV. É por isso estranho que o acontecimento seja praticamente desconhecido entre nós, não sendo referido, quando se enumeram as principais ocorrências durante o reinado do rei Lavrador.

 

Dinis e Isabel - Leiria.jpgEstátuas de Dom Dinis e Dona Isabel em Leiria

 

As disputas entre Aragão e Castela tinham a ver com a sucessão do trono castelhano, assunto por resolver desde a morte do avô de Dom Dinis, Dom Afonso X o Sábio, vinte anos antes. Em Junho de 1304, saiu de Portugal uma solene e enorme comitiva, que incluía quase toda a corte portuguesa. A presença da rainha Dona Isabel era imprescindível, já que o monarca aragonês Jaime II era seu irmão.

 

Isabel e Jaime cumprimentaram-se emocionados. Haviam-se separado há mais de vinte anos, nas idades de onze e catorze respetivamente. Dinis achou-os parecidos, também o cunhado possuía olhos e cabelos negros, estes cortados à altura do pescoço, com a sua franja curta. Jaime, no entanto, não ostentava a palidez da irmã, era robusto, nas suas vestes escarlates, bordadas a fio de ouro.

O herdeiro do trono português foi apresentado ao tio, que lhe elogiou a postura, arrancando-lhe um sorriso e espantando Dinis, que raramente assistia a tal reação por parte do rebento. O monarca aragonês fez ainda questão de mencionar a parecença do moço com o avô Pedro III, embevecendo Isabel. Dinis, por seu lado, ouvia-o contrafeito, apreciaria mais que o príncipe fosse parecido com ele… Como Afonso Sanches!

 

Dom Dinis tinha todo o interesse em que a paz fosse estabelecida na Hispânia, pois, embora Portugal não estivesse diretamente implicado, esta crise passava pela legitimação dos filhos do falecido rei de Castela, Dom Sancho IV. O seu sucessor, Fernando IV, ainda menor, era o noivo da infanta Dona Constança, filha de Dom Dinis e de Dona Isabel.

 

A comitiva portuguesa iniciou a viagem de regresso a 16 de Agosto, passou cinco dias em Valhadolid e só entrou em Portugal a 7 de Setembro.

 

Dom Dinis Papel (1).JPG

 

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publicado por Cristina Torrão às 11:42

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As minhas informações sobre Dom Dinis são baseadas na biografia escrita pelo Professor José Augusto de Sotto Mayor Pizarro (Temas e Debates 2008)
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