Durante este ano, assinalarei aqui acontecimentos importantes do reinado de Dom Dinis, à medida que forem acontecendo os respetivos aniversários, assim como transcreverei excertos do meu romance sobre o Rei Lavrador.

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Ago 16

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Foto © Horst Neumann

 

 

 

 

 

Dom Dinis é conhecido pelas suas Cantigas de Amigo e de Amor, mas o Rei Poeta também criou Cantigas de Escárnio.

A esse propósito, um excerto do meu romance:

 

                                   Joam Bolo jouv’ em ũa pousada

                                   bem dês ogano que da era passou

                                   com medo do meirinho que lh’ achou

                                   ũa mua que tragia negada;

                                   pero diz el que, se lhi for mester,

                                   que provará ante qual juiz quer

                                   que a trouxe sempre dês que foi nada.

 

            Os nobres encetavam novos protestos contra os resultados das inquirições e Dinis, usando a personagem João Bolo, escarnecia dos fidalgos de província que desobedeciam aos meirinhos régios, usando de todos os subterfúgios para se furtarem às suas obrigações. Dizia o rei na sua cantiga que João Bolo vivia há um ano escondido, com medo de um meirinho que lhe descobrira uma mula roubada. O fidalgote contrapunha que, arranjando bom advogado, provaria perante qualquer juiz que a mula lhe pertencia, pois tinha testemunhas em como a criara desde que nascera, em casa de sua mãe. A melhor testemunha, dizia ele, era mestre Reinel, que tratara de um inchaço que a mula tivera no toutiço:

 

                                   Nom na perderá, se houver bom vogado,

                                   pois el pode per enquisas põer

                                   como lha virom criar e trager

                                   en cas sa madr’, u foi el criado;

                                   e provará per maestre Reinel

                                   que lha gardou bem dez meses daquel

                                   cerro, ou bem doze, que trag’ inchado.

 

            Dinis não tinha mais paciência para os infindáveis protestos, apesar de Isabel insistir em que não os subestimasse.

 

Cover neu3 Dom Dinis 100.jpg

 

O meu romance sobre Dom Dinis está à venda sob a forma de ebook na LeYa Online, na Wook e na Kobo.

 

Para adquirir a versão em papel, contacte-me através do email andancas@t-online.de.

 

Nota: Todas as Cantigas de Amor, de Amigo e de Escárnio transcritas no meu romance são originais de Dom Dinis, embora seja fictício o contexto em que são inseridas.

 

publicado por Cristina Torrão às 11:38

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As minhas informações sobre Dom Dinis são baseadas na biografia escrita pelo Professor José Augusto de Sotto Mayor Pizarro (Temas e Debates 2008)
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