Durante este ano, assinalarei aqui acontecimentos importantes do reinado de Dom Dinis, à medida que forem acontecendo os respetivos aniversários, assim como transcreverei excertos do meu romance sobre o Rei Lavrador.

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Abr 16

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Devido à sua política de centralização de bens na Coroa, Dom Dinis teve muitos problemas com a nobreza e o clero. Um prelado que exerceu forte oposição foi Dom Vicente, bispo do Porto, por sinal, padrinho do Rei Trovador. Aqui, uma cena do meu romance:

 

 

 

Em finais de Junho, Dinis deslocou-se ao Porto, onde o bispo Dom Vicente o recebeu no seu Paço, no ponto mais alto do burgo sobranceiro ao rio Douro. O rei tentava contemporizar, mas o velho bispo mostrava-se intransigente. O monarca comprometera-se a não levantar obstáculos aos eclesiásticos no que se referia a adquirirem bens de raiz e, entretanto, já havia promulgado duas leis de desamortização dos bens do clero. Era um escândalo, declarava Dom Vicente furioso! E não estava sozinho! Junto com o bispo da Guarda Dom João Martins, o de Viseu Dom Egas e o de Lamego Dom João, preparava um libelo com mais acusações contra a Coroa, a fim de o enviar ao papa!

Dinis pretendia evitar tal procedimento a todo o custo:

- Estou certo de que conseguiremos resolver o assunto entre nós!

- Não vejo como, Alteza. Se, passados três anos sobre a Concordata, ainda nos encontramos neste ponto, dificilmente a situação se modificará.

O velho clérigo, ao abrigo da sua idade e da sua experiência, não se deixava intimidar. Fizera frente ao pai e nada o impedia de o fazer ao filho.

Dinis insistiu:

- Presumo que não estareis interessado num novo interdito, depois do trabalho que deu levantá-lo. Seria uma desgraça para o reino! Vós, como homem da Igreja, vedes certamente ainda mais desvantagens nisso do que eu…

- Como homem da Igreja, Dom Dinis, estou preparado para aceitar qualquer castigo que o pontífice resolva impor! O reino sobreviveu a mais de vinte anos de interdito e não deixou de ser cristão. Se for essa a única maneira de acabar com as inquirições abusivas e as escandalosas leis de desamortização, que seja!

Dom Vicente era um osso duro de roer. E Dinis estava cheio do Porto, nunca achara grande beleza no cinzentismo das construções de granito e do próprio Douro, entalado naquele desfiladeiro. E não se livrava da humidade peganhenta. Mesmo agora, que se encontravam no pino do Verão, chovia quase todos os dias!

 

 

Nota: o meu romance encontra-se à venda na Leya Online e na Wook, por 6,99 €.

 

publicado por Cristina Torrão às 11:24

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As minhas informações sobre Dom Dinis são baseadas na biografia escrita pelo Professor José Augusto de Sotto Mayor Pizarro (Temas e Debates 2008)
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