Durante este ano, assinalarei aqui acontecimentos importantes do reinado de Dom Dinis, à medida que forem acontecendo os respetivos aniversários, assim como transcreverei excertos do meu romance sobre o Rei Lavrador.

08
Ago 16

 

 

Faz hoje 712 anos que se proferiu a Sentença Arbitral de Torrellas, na fronteira castelhano-aragonesa, estabelecendo a paz definitiva entre Aragão e Castela, o resultado de um longo processo, no qual Dom Dinis foi o medianeiro principal, apoiado pelo papa e pelo rei francês Filipe IV. É por isso estranho que o acontecimento seja praticamente desconhecido entre nós, não sendo referido, quando se enumeram as principais ocorrências durante o reinado do rei Lavrador.

 

Dinis e Isabel - Leiria.jpgEstátuas de Dom Dinis e Dona Isabel em Leiria

 

As disputas entre Aragão e Castela tinham a ver com a sucessão do trono castelhano, assunto por resolver desde a morte do avô de Dom Dinis, Dom Afonso X o Sábio, vinte anos antes. Em Junho de 1304, saiu de Portugal uma solene e enorme comitiva, que incluía quase toda a corte portuguesa. A presença da rainha Dona Isabel era imprescindível, já que o monarca aragonês Jaime II era seu irmão.

 

Isabel e Jaime cumprimentaram-se emocionados. Haviam-se separado há mais de vinte anos, nas idades de onze e catorze respetivamente. Dinis achou-os parecidos, também o cunhado possuía olhos e cabelos negros, estes cortados à altura do pescoço, com a sua franja curta. Jaime, no entanto, não ostentava a palidez da irmã, era robusto, nas suas vestes escarlates, bordadas a fio de ouro.

O herdeiro do trono português foi apresentado ao tio, que lhe elogiou a postura, arrancando-lhe um sorriso e espantando Dinis, que raramente assistia a tal reação por parte do rebento. O monarca aragonês fez ainda questão de mencionar a parecença do moço com o avô Pedro III, embevecendo Isabel. Dinis, por seu lado, ouvia-o contrafeito, apreciaria mais que o príncipe fosse parecido com ele… Como Afonso Sanches!

 

Dom Dinis tinha todo o interesse em que a paz fosse estabelecida na Hispânia, pois, embora Portugal não estivesse diretamente implicado, esta crise passava pela legitimação dos filhos do falecido rei de Castela, Dom Sancho IV. O seu sucessor, Fernando IV, ainda menor, era o noivo da infanta Dona Constança, filha de Dom Dinis e de Dona Isabel.

 

A comitiva portuguesa iniciou a viagem de regresso a 16 de Agosto, passou cinco dias em Valhadolid e só entrou em Portugal a 7 de Setembro.

 

Dom Dinis Papel (1).JPG

 

O meu romance sobre Dom Dinis está à venda sob a forma de ebook na LeYa Online, na Wook e na Kobo.

 

Para adquirir a versão em papel, contacte-me através do email andancas@t-online.de.

 

 

publicado por Cristina Torrão às 11:42

04
Abr 16

Verifica-se hoje o 732º aniversário da morte de Afonso X de Leão de Castela, que ficou conhecido como o Sábio. Afonso X era o avô materno de Dom Dinis e igualmente poeta. Deixou as Cantigas de Santa Maria para a posteridade, um conjunto de quatrocentas e vinte e sete composições em galaico-português, à época, a língua fundamental da lírica culta em Castela.

 

Cantigas de Santa Maria.jpg

 Imagem daqui

 

Como se vê, Dom Dinis tinha a quem sair, não só no que diz respeito à poesia, como a outras medidas régias. Também o avô foi um grande legislador, autor do Fuero Real de Castilla, um conjunto de leis adaptadas às diversas regiões dos seus reinos, e das Siete Partidas, leis baseadas no direito romano. Afonso X determinou que os documentos régios fossem redigidos em castelhano e não em latim, como era costume, e como o neto Dinis viria a fazer com o português. Fundou igualmente a Escola de Tradutores de Toledo, onde se traduziam documentos do árabe, do grego e do latim para o castelhano. Inúmeros estudiosos de várias nacionalidades se reuniram nessa Escola, pelo que o reinado de Afonso X ficou conhecido por as três religiões - cristã, judaica e muçulmana - terem convivido pacificamente em Toledo.

 

2011-06-08 Toledo 159.JPG

Catedral de Toledo

Foto © Horst Neumann

 

Este rei poderoso e culto teve um fim amargo. Descontentes com a sua política de centralização de bens na Coroa, os nobres revoltados conseguiram depô-lo, substituindo-o por seu filho Sancho IV.

 

Afonso X viveu os seus últimos anos em exílio, na cidade de Sevilha. Sua filha Dona Beatriz, mãe de Dom Dinis, acompanhou-o nessa fase difícil, pelo que o pai lhe deixou, em herança, as vilas de Moura, Serpa, Noudar e Mourão. Graças a esta herança, Dom Dinis conseguiu alargar a fronteira portuguesa para leste do Guadiana.

Afonso X.jpg

Afonso X, o Sábio

Imagem daqui

 

 O meu romance sobre Dom Dinis encontra-se disponível na LeyaOnline (clique).

publicado por Cristina Torrão às 11:35

16
Fev 16

DinisCoimbra.jpg

 

Faz hoje 737 anos que Dom Dinis foi aclamado rei de Portugal, com apenas dezassete.

Neste mesmo dia, morreu seu pai Dom Afonso III, sendo sepultado em São Domingos de Lisboa. Dez anos mais tarde, foi trasladado para Alcobaça.

 

 

Também a 16 de Fevereiro, mas doze anos antes, foi assinado em Badajoz o documento que legitimou para sempre a integração do Algarve em Portugal.

 

Dom Afonso III conquistara as praças do Algarve com a ajuda da Ordem de Santiago, cujos cavaleiros portugueses estavam dependentes do Mestre castelhano. Por isso se sentia o rei Afonso X de Leão e Castela com direito a exigir vassalagem ao monarca português por esse território.

Conquista de Loulé.jpg

 Conquista de Loulé, Luís Furtado

 

Os primeiros passos para a resolução do problema foram dados em Maio de 1253, quando Dom Afonso III, ignorando o seu casamento com Matilde de Bologne, desposou a filha mais velha do rei castelhano (ilegítima) Dona Beatriz. Depois do nascimento do príncipe herdeiro Dom Dinis, Afonso X de Castela enfeudou o Algarve ao neto.

 

A situação continuava a desagradar à corte portuguesa, pois, uma vez chegado ao trono, Dom Dinis deveria vassalagem ao rei castelhano por aquele território. Assim, no dia 16 de Fevereiro de 1267, em Badajoz, Afonso X concordou em renunciar a todos os seus direitos sobre o Algarve, recebendo em compensação as povoações de Aroche e Aracena, conquistadas por Afonso III em 1251. O Guadiana ficou a demarcar a fronteira entre Portugal e Leão, a partir da foz do Caia para sul, fronteira que seria modificada trinta anos mais tarde, no Tratado de Alcañices (12 de Setembro de 1297).

Afonso X.jpg

 Afonso X de Leão e Castela

publicado por Cristina Torrão às 11:15

25
Jan 16

Afonso X.jpg

D. Afonso X, o Sábio

 

Por parte de sua mãe, Dona Beatriz, Dom Dinis era neto de um dos reis mais importantes da Hispânia medieval: Dom Afonso X, o Sábio. Deixou, para a posteridade, importantes obras: compilações de leis escritas em castelhano e não em latim, como era costume; uma compilação de todos os jogos que se conheciam na altura (incluindo o xadrez) e, na sua qualidade de poeta, reuniu, nas Cantigas de Santa Maria, centenas de milagres da Virgem. Como vemos, Dom Dinis tinha a quem sair!

 

No meu romance, Dom Dinis, com apenas cinco anos, visita o avô, em Toledo, na companhia da mãe, da irmã Branca e do irmão Afonso. Aqui, um pequeno excerto dessa visita:

 

Dinis e Branca ouviram fascinados todas as sete estrofes da cantiga e, no fim, o príncipe não resistiu a perguntar:

- Como se fazem rimar as palavras?

- Isso é um mistério que só os poetas guisam conhecer.

Como o pequeno se mostrava desiludido com a resposta, o rei acrescentou:

- Se estás destinado a ser poeta, Deus te concederá o dom.

- E quanto tempo demora?

- Isso, ninguém te sabe dizer. Mas o tempo corre mais lesto do que crês, só hás mister de paciência.

- Paciência - ecoou Beatriz. - É qualidade que Dinis nunca possuirá!

- Não vos precipiteis com tais juízos, filha! - E, piscando novamente o olho ao neto: - Dinis surpreender-nos-á a todos!

 

publicado por Cristina Torrão às 11:37

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As minhas informações sobre Dom Dinis são baseadas na biografia escrita pelo Professor José Augusto de Sotto Mayor Pizarro (Temas e Debates 2008)
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