Durante este ano, assinalarei aqui acontecimentos importantes do reinado de Dom Dinis, à medida que forem acontecendo os respetivos aniversários, assim como transcreverei excertos do meu romance sobre o Rei Lavrador.

16
Ago 16

 

 

Celebrando-se, este mês, o 712º aniversário da Sentença Arbitral de Torrellas, na sequência de um longo processo, no qual Dom Dinis foi o principal medianeiro, aproveito para transcrever um excerto do meu romance, alusivo a esta efeméride:

 

As sentenças foram proferidas em Torrellas, a 8 de Agosto. Como combinado, o rei de Portugal, o infante Don Juan e o bispo de Zaragoza Don Ximeno de Luna proferiram a sentença quanto à divisão do reino de Múrcia, estabelecendo o rio Segura como linha divisória, solução que estava longe de agradar a muitos nobres castelhanos, apesar de o mais prejudicado ser um português: o irmão de Dinis! Os senhorios de Elda e Novelda, pertencentes à sua consorte, situavam-se na parte destinada ao monarca aragonês, que os exigia para si próprio, pelo que Afonso e Violante lhos teriam de entregar.

Dinis tentou acalmar o irmão:

- Nada pude fazer para o evitar. Mas o meu genro comprometeu-se a doar-te senhorios de rendimento idêntico em Castela. E sabes que em Portugal, onde igualmente possuis propriedades valiosas, serás sempre bem-vindo!

O irmão limitou-se a encará-lo com o seu olhar amargurado.

Os reis de Portugal e de Aragão e o infante Don Juan de Castela proferiram ainda a sentença quanto às pretensões de Alfonso de la Cerda, que teria de desistir de certos castelos, deixar de usar o tratamento de rei e selo e armas correspondentes. Em compensação, o monarca castelhano comprometia-se a entregar-lhe senhorios que atingissem a renda anual de quatrocentos mil maravedis.

No dia seguinte, Fernando IV e Jaime II aprovaram e aceitaram os termos da sentença, seguindo-se um juramento em que participaram os membros das famílias reais, os representantes das Ordens militares e dos concelhos e os ricos-homens castelhanos e aragoneses. Os monarcas de Portugal, Castela e Aragão declararam-se ainda «amigos dos amigos e inimigos dos inimigos», jurando ainda Dinis e Jaime II amizade para com o rei mouro de Granada, que se fizera vassalo de Fernando IV.

 

O meu romance sobre Dom Dinis está à venda sob a forma de ebook na LeYa Online, na Wook, na Kobo e na Amazon.

No Brasil, está disponível na Livraria Saraiva e na Livraria Cultura e a Amazon.com permite o pagamento em dólares.

 

 

 

Dom Dinis Série (1).JPG

 

A versão em papel não se encontra à venda nas livrarias, pelo que os interessados devem contactar-me pelo email andancas@t-online.de, ou através de mensagem privada no Facebook.

 

 

publicado por Cristina Torrão às 11:56

24
Jul 16

Caminha Bandeira.png

 

 

 

 

 

A vila de Caminha faz hoje 732 anos.

 

A 24 de Julho de 1284, Dom Dinis fundou a vila de Caminha, à qual deu foral.

 

 

 

 

Porto de Mós Bandeira.png

 

 

 

 

 

Verifica-se hoje igualmente o 711º aniversário do foral de Porto de Mós, concedido por Dom Dinis.

 

 

 

 

 

 

 

Foi também a 24 de Julho, no ano de 1306, que Jaime II de Aragão escreveu ao cunhado Dom Dinis, pedindo-lhe que ajudasse a esclarecer a morte de Dona Violante Manuel, casada com o infante Dom Afonso, irmão do rei português.

 

Trata-se de um assunto que permanece na obscuridade. Dom Afonso terá assassinado a esposa e procurado proteção junto do irmão rei. O caso nunca foi esclarecido, pois Dom Dinis protegeu o irmão, contando a versão deste, que apontava para um acidente, mas que não era plausível.

 

O infante Dom Afonso, dono de um carácter enigmático que deu muitas dores de cabeça a Dom Dinis, viveria, a partir desta altura, amargurado até à sua morte, a 2 de Novembro de 1312, com apenas quarenta e nove anos. Foi sepultado na igreja de São Domingos de Lisboa.

 

Dom Dinis Série (1).JPG

 

O meu romance sobre Dom Dinis está à venda sob a forma de ebook na LeYa Online, na Wook e na Kobo.

 

Para adquirir a versão em papel, contacte-me através do email andancas@t-online.de.

 

 

publicado por Cristina Torrão às 11:20

04
Mai 16

Afonso III.jpg

 

 

Dom Afonso III na Viagem Medieval de Santa Maria da Feira 2015

 

 

Também o avô de Dom Afonso IV, Dom Afonso III, casou no mês de Maio, não se sabendo o dia e sendo a noiva igualmente infanta Dona Beatriz de Castela! Foi cinquenta e seis anos antes, em 1253, a noiva teria apenas onze anos, o noivo ia pelos quarenta.

 

Este casamento surgiu na sequência de um Tratado de Paz entre Portugal e Castela por causa da questão do Algarve, mas implicou problemas muito graves: Dom Afonso III foi acusado de bigamia pelo papa Alexandre IV, que, dois anos mais tarde, lançaria o interdito sobre Portugal. Um reino sob interdito estava proibido de celebrar missas e sacramentos (incluindo casamentos e batizados), situação que durou quase dez anos.

 

A razão para medida tão severa: à altura do seu casamento com Dona Beatriz, Dom Afonso III era ainda casado com Matilde de Boulogne. Dom Afonso III tinha ido ainda jovem para a corte francesa, que se encontrava sob a regência de sua tia Branca, antiga infanta de Castela. Em 1239, a tia arranjou-lhe casamento com a viúva Matilde de Boulogne, bastante mais velha do que ele, mas filha única da condessa Ida e herdeira daquele condado.

 

Seis anos mais tarde, porém, Dom Afonso regressou sozinho a Portugal, a fim de tomar conta do reino mal governado por seu irmão. Em 1253, já coroado rei, e no intuito de pôr fim ao conflito com o monarca castelhano por causa do Algarve, casou com Beatriz, ignorando Matilde por completo, de quem vivia separado há oito anos.

 

O rei chegou ao ponto de ignorar uma ordenação papal para se apresentar em Roma, a fim de ser julgado por bigamia, mas o problema resolveu-se com a morte inesperada de Matilde. No entanto, só passados cinco anos, em Junho de 1263, um novo papa, Urbano IV, legitimou o segundo consórcio do monarca, levantando o interdito sobre o reino.

 

À altura do seu nascimento, a 9 de Outubro de 1261, Dom Dinis era, no fundo, ilegítimo e este argumento foi usado por seu irmão Afonso, quando, pela terceira vez, se revoltou contra o rei, em 1299, obrigando Dom Dinis a montar cerco a Portalegre. Dom Afonso alegava ter mais direito ao trono do que o irmão mais velho, por ter nascido numa data mais próxima da legalização do casamento dos pais (a 6 de Fevereiro de 1263).

 

Dom Afonso III e Dona Beatriz tiveram sete filhos:

 

Infanta Dona Branca, nascida em Fevereiro de 1259

Dom Dinis, nascido a 9 de Outubro de 1261

Infante Dom Afonso, nascido a 6 de Fevereiro de 1263

Infanta Dona Sancha, nascida a 2 de Fevereiro de 1264 (faleceu com cerca de vinte anos)

Infanta Dona Maria, nascida em Fevereiro ou Março de 1265 (faleceu com pouco mais de um ano)

Infante Dom Vicente, nascido a 22 de Janeiro de 1268 (falecido ainda criança)

Infante Dom Fernando, nascido em 1269, falecendo pouco tempo depois.

 

 

publicado por Cristina Torrão às 10:41

24
Abr 16

Cover neu3 Dom Dinis 100.jpg

 

 

 

 

Ebook à venda na Leya Online (clique)

 

 

 

 

 

Faz hoje 735 anos que Dom Dinis assinou o seu compromisso de casamento, em pleno cerco da vila de Vide. O rei cercara o irmão Afonso por este ter decidido construir muralhas em torno da vila e aumentar uma torre, sem lhe pedir autorização.

 

Os agentes de Dom Pedro III de Aragão, o pai da noiva, eram Conrado Lanceote e Bertrando de Vila Franca. O Rei Lavrador fez doação à noiva por núpcias das vilas de Óbidos, Abrantes e Porto de Mós, doação que ficava assegurada pelas arras dos castelos de Vila Viçosa, Monforte, Sintra, Ourém, Feira, Gaia, Lanhoso, Nóbrega, Santo Estêvão de Chaves, Monforte de Rio Livre, Portel e Montalegre e mais dez mil libras.

 

Nesta altura, Dom Dinis e Dona Isabel, na verdade, já estavam casados, embora ainda não se conhecessem. O casamento ocorreu por procuração, a 11 de Fevereiro de 1281, no Paço Real de Barcelona. Os procuradores do rei que o representaram, por palavras de presente, na cerimónia de recebimento da noiva, eram os cavaleiros João Pires Velho e Vasco Pires e o clérigo Dom João Martins de Soalhães, futuro bispo de Lisboa.

 

Dona Isabel só deu entrada em Portugal cerca de ano e meio mais tarde, sendo as bodas do par real festejadas em Trancoso, a 26 de Junho de 1282.

 

A tradição diz-nos que Dom Dinis não apreciava os exageros caritativos da sua rainha. E que esta muito sofreu com os casos extra-conjugais do esposo. A este propósito, transcrevo um pequeno excerto do meu romance:

 

Num serão abafado e quente de Junho, vieram dizer-lhe que a rainha não viria aos seus aposentos, como por ele solicitado, pois preparava-se para ir ao hospital de Santo Elói. Dinis dirigiu-se furioso ao Paço da sua consorte, apanhando-a já de saída, envolta pela cabeça numa capa escura muito simples, de camponesa.

- Proíbo-vos de deixar o Paço!

Ela limitou-se a replicar, serena:

- Tenho os meus compromissos.

- Que adiareis, por uma vez! Hei mister de vos falar. Ou achais que os vossos enfermos são mais importantes do que el-rei?

- Não se trata de serem mais ou menos importantes. Trata-se de cuidar de quem precisa.

- Também eu hei mister de algo: de esclarecimentos! Dizei, que vos incomoda? Foi algo que disse ou… fiz?

Isabel fixou-o com os seus olhos perscrutadores. Dinis pensou ver naquele brilho uma certa acusação, algum ciúme, e convenceu-se de que ela realmente se vingava do que sucedera em Coimbra. Naquele momento, porém, em vez de se sentir culpado, empertigou-se. Quiçá fosse aquele jeito dela de desprezar tudo o que fosse mácula humana. O certo é que deu consigo a pensar que a ela lhe competia aceitar que ele tivesse as suas barregãs!

 

 

publicado por Cristina Torrão às 10:56

08
Abr 16

Pedro I.jpg

 

 

 

 

 

 

Imagem daqui

 

 

 

 

 

Verifica-se hoje o 696º aniversário de Dom Pedro I, que ficou sobretudo conhecido pelo seu trágico amor por Inês de Castro.

Dom Pedro I era neto de Dom Dinis e de Dona Isabel, filho de Dom Afonso IV. Nasceu numa época complicada, em plena guerra civil que opunha Dom Dinis ao seu herdeiro, pai de Dom Pedro.

Inês de Castro viria a ser assassinada no Paço que a rainha Santa Isabel mandara construir para si própria, junto ao mosteiro de Santa Clara, em Coimbra.

 

 

Também a 8 de Abril, mas uns anos antes, em 1299, Dom Dinis, que contava trinta e sete anos, fez o seu primeiro testamento, antes de partir para uma campanha contra o irmão. O infante Dom Afonso revoltava-se pela terceira vez e Dom Dinis montou cerco a Portalegre, a 27 de Abril. Dom Afonso resistiu mais tempo do que o esperado e o rei solicitou a intervenção da infanta Dona Branca, a irmã de ambos.

 

- Afonso anda mui estranho - anunciou Branca a Dinis. - Acha-se com mais direito ao trono do que vós!

Com dificuldades em controlar a sua fúria, o rei remeteu-se ao silêncio. E foi Frei Vasco Fernandes quem inquiriu:

- Em que se baseia Dom Afonso para afirmar tal?

Depois de uma hesitação, Branca acabou por responder:

- Baseia-se no facto de o matrimónio de meus pais só haver sido reconhecido pela Igreja em Junho de 1263!

Gerou-se um silêncio embaraçante, perante o abordar de um assunto julgado esquecido. À altura do seu matrimónio com Dona Beatriz, Afonso III havia sido acusado de bigamia pelo papa Alexandre IV, pois estava ainda casado com Matilde de Boulogne, apesar de os dois já viverem separados há quase uma década.

Seguiram-se cinco anos de contendas graves com a cúria pontifícia. O problema acabou por se resolver com a morte inesperada de Matilde, mas só passada mais meia década, Urbano IV legitimara o segundo consórcio do monarca.

- Afonso nasceu em Fevereiro de 1263 - prosseguiu Branca, - escassos quatro meses antes de o papa passar a bula de legitimação. Essa é a razão que ele dá para se considerar, digamos, mais legítimo do que o irmão rei.

Dinis tinha ganas de ir arrancar o estouvado do irmão ao castelo de Portalegre, a fim de lhe dar uma valente sova.

 

DinisQuadro.jpgHistória Universal da Literatura Portuguesa,
Abril 2006

 

Dom Afonso só se renderia em Outubro, logo partindo para o reino de Múrcia, onde possuía senhorios, por parte da esposa.

 

 O excerto é do meu romance sobre Dom Dinis, disponível em eBook na LeyaOnline (clique).

Cover neu3 Dom Dinis 100.jpg

 

publicado por Cristina Torrão às 11:01

28
Fev 16

Faz hoje 757 anos que nasceu a Infanta Dona Branca de Portugal, a irmã mais velha de Dom Dinis, primeira filha de seus pais Dom Afonso III e Dona Beatriz de Castela. Recebeu o nome da tia do pai, Branca de Castela, regente em França durante a menoridade do filho Luís IX.

 

Dona Branca recebeu de seu avô Afonso X de Leão e Castela a herança de 100 000 marcos, que lhe deveria servir de dote. Porém, a infanta teve uma doença grave, pouco depois da morte do avô, prometendo dedicar a sua vida ao mosteiro de Las Huelgas de Burgos, caso sobrevivesse. Assim aconteceu e Dona Branca usou o dote na reconstrução do mosteiro.

 

Apesar de ter vivido longe de Portugal, a infanta manteve o contacto com o irmão Dinis, auxiliando-o em várias situações, nomeadamente, servindo de mediadora entre o rei e o irmão mais novo, nas revoltas que este levou a cabo (por três vezes se insurgiu contra o irmão rei).

 

Manesse G 9.jpg

 

 Dinis dirigiu-se à irmã Branca:

- Esta agradável, mas inesperada visita tem com certeza a ver com o nosso irmãozinho…

- Claro. Vim com a mãe de Burgos para acabar com este absurdo!

Dinis ergueu as sobrancelhas:

- A mãe?

- Afonso mandou-lhe recado, pedindo-lhe que intercedesse. Aguarda, porém, em Badajoz.

Dinis sentiu a fúria crescer dentro de si. Apanhado num beco sem saída, Afonso chamava a mãe, que intercedesse por ele!

- Mas quando começará Afonso a arcar com as suas responsabilidades? Porque não vem ele ter comigo, arrependido, mas mantendo a sua dignidade, a fim de se render? Já em Vide foi a mesma cousa! Acaso receia que eu lhe faça algum mal?

- Não se trata de receio, mas sim de orgulho ferido. Custa-lhe rebaixar-se-vos, prefere que digam que o faz por intercessão de terceiros.

- Mas eu sou o seu soberano!

- Bem sabeis que ele sempre vos invejou.

- Entendo a sua posição e tento cumprir o pedido do pai, que o ajude e proteja… Mas eu não posso mudar aquilo que Deus decidiu! E como posso ajudá-lo e protegê-lo se ele me afronta a todo o instante?

Branca suspirou:

- Tentai ter paciência…

- Não é questão de paciência da minha parte, mas de coerência da parte dele. De responsabilidade! - Dinis fixou a irmã: - Ele nunca conseguirá arrancar-me do trono! Tenho o reino nas mãos, não passa pela cabeça de ninguém rebelar-se contra mim.

- Eu sei, a vossa fama já se espalhou por toda a Hispânia. O povo português segue-vos, adora-vos!

 

Branca não professou, mas ficou conhecida como uma das maiores benfeitoras do mosteiro de Las Huelgas de Burgos, onde ficou sepultada. Apesar de não ter casado, terá tido uma relação amorosa com o mestre carpinteiro responsável pelas obras do mosteiro, tendo dado um filho à luz, que foi incluído na nobreza castelhana.

A infanta Dona Branca morreu a 17 de Abril de 1321. A sua sepultura ainda hoje pode ser visitada em Burgos.

 

O excerto é do meu romance sobre Dom Dinis que pode ser adquirido na LeyaOnline por 6,99 € (clique).

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publicado por Cristina Torrão às 11:24

06
Fev 16

Manesse P 1.jpg

 

 

 

 

 

Codex Manesse

 

 

 

 

 

Faz hoje 753 anos que nasceu o infante Dom Afonso, irmão de Dom Dinis, mais novo cerca de ano e meio. Dom Afonso parece nunca ter superado a sua condição de filho segundo, pois causou problemas ao rei durante toda a vida. Por três vezes se insubordinou, obrigando Dom Dinis a usar da força, pondo cerco aos lugares onde se refugiava: Vide, Arronches e Portalegre. Por outro lado, é notável que o Rei Poeta sempre lhe tenha perdoado e o tenha protegido, mesmo em circunstâncias absurdas.

 

O infante Dom Afonso casou com Dona Violante Manuel, filha do infante Dom Manuel de Castela, recebendo senhorios no reino de Múrcia. O matrimónio, porém, não foi reconhecido pela Igreja, devido ao parentesco: Dom Manuel de Castela, sendo irmão do rei Afonso X, era tio-avô do infante português.

 

Dom Dinis, sempre protetor, legitimou-lhe os filhos, na sua qualidade de rei, sem consultar a Igreja, provocando um protesto formal de Dona Isabel, por sinal, no dia do 34º aniversário do infante (ver abaixo).

 

Dom Afonso teve um fim de vida muito amargo. O seu filho e herdeiro morreu com apenas dezassete anos, em 1302, e, apesar de ter ainda três filhas, o infante não conseguiu superar a morte daquele que era o orgulho da sua vida. Terá começado a comportar-se de maneira estranha, chegando mesmo a assassinar a esposa, caso que foi abafado por Dom Dinis, apesar de o rei de Aragão, cunhado do monarca português e igualmente parente da falecida, o instar a esclarecer a questão.

 

Dom Dinis protegeu o irmão até ao fim. Dom Afonso morreu a 2 de Novembro de 1312, com apenas quarenta e nove anos, sendo sepultado na igreja de São Domingos de Lisboa, no túmulo que o próprio mandara fazer.

 

Foi igualmente a 6 de Fevereiro (em 1297) que Dona Isabel apresentou, na alcáçova de Coimbra, protesto formal contra a legitimação dos sobrinhos, filhos do seu cunhado Dom Afonso. Apresentou como motivos o facto de o irmão do rei se ter insubordinado algumas vezes e o provável perigo que os filhos deste pudessem significar para o reinado do filho Dom Afonso IV. De qualquer maneira, é curiosa uma atitude deste tipo por parte de uma rainha caridosa, que sempre procurou consensos.

 

Dona Isabel 1.jpg

 

 

 

 

Fonte da Imagem (clique)

 

 

 

 

 

Apesar de ter aceite o protesto, Dom Dinis não se escusou a redigir a carta que legitimou os filhos de seu irmão, dois dias mais tarde.

 

O filho de Dom Dinis e de Dona Isabel, o príncipe herdeiro Afonso, apresentou igualmente um protesto a esta legitimação, passados onze anos, o que teria desagradado ao pai. Aliás, Dom Dinis nunca verdadeiramente se entendeu com o seu herdeiro, futuro Dom Afonso IV.

 

 

publicado por Cristina Torrão às 12:05

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As minhas informações sobre Dom Dinis são baseadas na biografia escrita pelo Professor José Augusto de Sotto Mayor Pizarro (Temas e Debates 2008)
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